Quando da bella vista e doce riso

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Quando da bella vista e doce riso

Tomando estão meus olhos mantimento,

Tão elevado sinto o pensamento,

Que me faz ver na terra o Paraiso.


Tanto do bem humano estou diviso,

Que qualquer outro bem julgo por vento:

Assi que em termo tal, segundo sento,

Pouco vem a fazer quem perde o siso.


Em louvar-vos, Senhora, não me fundo;

Porque quem vossas graças claro sente,

Sentirá que não póde conhecellas.


Pois de tanta estranheza sois ao mundo,

Que não he de estranhar, Dama excellente,

Que quem vos fez, fizesse ceo e estrellas.

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