Quando de minhas mágoas a comprida

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Quando de minhas mágoas a comprida

Maginação os olhos me adormece,

Em sonhos aquella alma me apparece,

Que para mi foi sonho nesta vida.


Lá n'huma soidade, onde estendida

A vista por o campo desfallece,

Corro apoz ella; e ella então parece

Que mais de mi se alonga, compellida.


Brado: Não me fujais, sombra benina.

Ella (os olhos em mi co'hum brando pejo,

Como quem diz, que ja não póde ser)


Torna a fugir-me: torno a bradar: Dina...

E antes que diga mene, acórdo, e vejo

Que nem hum breve engano posso ter.

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