Quantas vezes do fuso se esquecia

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Quantas vezes do fuso se esquecia

Daliana, banhando o lindo seio,

Outras tantas de hum aspero receio

Salteado Laurenio a côr perdia.


Ella, que a Sylvio mais que a si queria,

Para podê-lo ver não tinha meio.

Ora como curára o mal alheio

Quem o seu mal tão mal curar podia?


Elle, que vio tão clara esta verdade,

Com soluços dizia (que a espessura

Inclinavão, de mágoa, a piedade):


Como póde a desordem da natura

Fazer tão differentes na vontade

Aos que fez tão conformes na ventura?

#amor não correspondido #destino #luis vaz de camoes #sofrimento interior

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