Já me não pesa tanto o vir da morte.

by Fernando Pessoa · 6-7-1934
Published 06/07/1934

Já me não pesa tanto o vir da morte.

Sei já que é nada, que é ficção e sonho,

E que, na roda universal da Sorte,

Não sou aquilo que me aqui suponho.


Sei que há mais mundos que este pouco mundo

Onde parece a nós haver morrer —

Dura terra e fragosa, que há no fundo

Do oceano imenso de viver.


Sei que a morte, que é tudo, não é nada,

E que, de morte em morte, a alma que há

Não cai num poço: vai por uma estrada.

Em Sua hora e a nossa, Deus dirá.

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