III - Ah, mas aqui, onde irreais erramos,

by Fernando Pessoa · s. d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Ah, mas aqui, onde irreais erramos,

Dormimos o que somos, e a verdade,

Inda que enfim em sonhos a vejamos,

Vemo-la, porque em sonho, em falsidade.


Sombras buscando corpos, se os achamos

Como sentir a sua realidade?

Com mãos de sombra, Sombras, que tocamos?

Nosso toque é ausência e vacuidade.


Quem desta Alma fechada nos liberta?

Sem ver, ouvimos para além da sala

De ser; mas como, aqui, a porta aberta?


......


Calmo na falsa morte a nós exposto,

O Livro ocluso contra o peito posto,

Nosso Pai Roseacruz conhece e cala.

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