Contemplo o que não vejo.

by Fernando Pessoa · 7-9-1933
Published 07/09/1933

Contemplo o que não vejo.

É tarde, é quase escuro,

E quanto em mim desejo

Está parado ante o muro.


Por cima o céu é grande;

Sinto árvores além;

Embora o vento abrande,

Há folhas em vaivém.


Tudo é do outro lado,

No que há e no que penso.

Nem há ramo agitado

Que o céu não seja imenso.


Confunde-se o que existe

Com o que durmo e sou

Não sinto, não sou triste,

Mas triste é o que estou.

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