Quem bate à minha porta

by Fernando Pessoa · 23-5-1932
Published 23/05/1932

Quem bate à minha porta

Tão insistentemente

Saberá que está morta

A alma que em mim sente?


Saberá que eu a velo

Desde que a noite é entrada

Com o vácuo e vão desvelo

De quem não vela nada?


Saberá que estou surdo?

Porque o sabe ou não sabe,

E assim bate, ermo e absurdo,

Até que o mundo acabe?

#absurdo #existencialismo #fernando pessoa #mortalidade #silêncio #solidão

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