Um muro de nuvens densas

by Fernando Pessoa · 1-5-1929
Published 01/05/1929

Um muro de nuvens densas

Põe na base do ocidente

Negras roxuras pretensas.


Com a noite tudo acaba.

O céu frio é transparente.

Nada de chuva desaba.


E não sei se tenho pena

Ou alegria da ausente

Chuva e da noite serena


De resto, nunca sei nada,

Minha alma é a sombra presente

De uma presença passada.


Meus sentimentos são rastros.

Só meu pensamento sente...

A noite esfria-se de astros.

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