Súbita mão de algum fantasma oculto

by Fernando Pessoa · 14-3-1917
Published 14/03/1917

Súbita mão de algum fantasma oculto

Entre as dobras da noite e do meu sono

Sacode-me e eu acordo, e no abandono

Da noite não enxergo gesto ou vulto.


Mas um terror antigo, que insepulto

Trago no coração, como de um trono

Desce e se afirma meu senhor e dono

Sem ordem, sem meneio e sem insulto.


E eu sinto a minha vida de repente

Presa por uma corda de Inconsciente

A qualquer mão nocturna que me guia.


Sinto que sou ninguém salvo uma sombra

De um vulto que não vejo e que me assombra,

E em nada existo como a treva fria.

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