O sol às casas, como a montes,

by Fernando Pessoa · 25-12-1918
Published 25/12/1918

O sol às casas, como a montes,

Vagamente doura.

Na cidade sem horizontes

Uma tristeza loura.


Com a sombra da tarde desce

E um pouco dói

Porque quanto é tarde

Tudo quanto foi.


Nesta hora mais que em outra choro

O que perdi.

Em cinza e ouro o rememoro

E nunca o vi.


Felicidade por nascer,

Mágoa a acabar,

Ânsia de só aquilo ser

Que há-de ficar —

Sussurro sem que se ouça, palma

Da isenção.

Ó tarde, fica noite, e alma

Tenha perdão.

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