Ás vezes, quando cismo, e incerto vou

by Fernando Pessoa · 3-6-1916
Published 03/06/1916

Às vezes, quando cismo, e incerto vou

Através do meu ser em confusão

Procuro ver, sentir, sem olhos ler

Na minha consciência a alvorecer

De que anterior Presença humana sou

A reincarnação.


Então, aos olhos com que sonho olhando,

Meu próprio vulto outro se ergue, e eu sei

Que fui, num grande ocaso de (...) gentes

Entre sonhos nas almas confluentes

Alguém com gesto e mando,

Imperador ou rei.


Triste, profundamente triste, calmo

Sim, calmo como a morte, eu quis fazer

Com que em não sei que terra revivesse

Um belo culto morto, a incerta messe (…)

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