III - Adagas cujas jóias velhas galas...

by Fernando Pessoa · s. d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Adagas cujas jóias velhas galas...

Opalesci amar-me entre mãos raras,

E, fluido a febres entre um lembrar de aras,

O convés sem ninguém cheio de malas...


O íntimo silêncio das opalas

Conduz orientes até jóias caras,

E o meu anseio vai nas rotas claras

De um grande sonho cheio de ócio e salas...


Passa o cortejo imperial, e ao longe

O povo só pelo cessar das lanças

Sabe que passa o seu tirano, e estruge


Sua ovação, e erguem as crianças...

Mas no teclado as tuas mãos pararam

E indefinidamente repousaram...

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