À NOITE

by Fernando Pessoa · 14-9-1919
Published 14/09/1919

O silêncio é teu gémeo no Infinito.

Quem te conhece, sabe não buscar.

Morte visível, vens dessedentar

O vago mundo, o mundo estreito e aflito.


Se os teus abismos constelados fito,

Não sei quem sou ou qual o fim a dar

A tanta dor, a tanta ânsia par

Do sonho, e a tanto incerto em que medito.


Que vislumbre escondido de melhores

Dias ou horas no teu campo cabe?

Véu nupcial do fim de fins e dores.


Nem sei a angústia que vens consolar-me.

Deixa que eu durma, deixa que eu acabe

E que a luz nunca venha despertar-me!

#angústia #existencialismo #fernando pessoa #morte #noite #silêncio

2 likes

Related poems →

More by Fernando Pessoa

Read "À NOITE" by Fernando Pessoa. One of the best and most popular poems on The Poet's Place. Discover more trending, inspiring, and beautiful poetry by Fernando Pessoa.