II - Na sombra Cleópatra jaz morta.

by Fernando Pessoa · s. d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Na sombra Cleópatra jaz morta.

Chove.


Embandeiraram o barco de maneira errada.

Chove sempre.


Para que olhas tu a cidade longínqua?

Tua alma é a cidade longínqua.

Chove friamente.


E quanto à mãe que embala ao colo um filho morto —

Todos nós embalamos ao colo um filho morto.

Chove, chove.


O sorriso triste que sobra a teus lábios cansados,

Vejo-o no gesto com que os teus dedos não deixam os teus anéis.

Porque é que chove?

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