Meu devir p. III: ao meu redor
by Sara Ferreira
· 18/05/2026
Published 18/05/2026 19:14
Meu devir p. III: ao meu redor
Contudo, escolheram a distância. Talvez por compreenderem cedo demais a dimensão daquilo. Ou porque certas conexões carregam, desde o início, a melancolia inevitável do que não nasceu para durar no mundo concreto.
As malas foram desfeitas. A rotina retomou seu curso. O mundo seguiu intacto para todos os outros.
Menos ela.
Sendo assim, desde então, a lucidez ganhou luz, cor e calor. Entender aquele encontro breve iluminou regiões antigas de si mesma, partes que existiam havia muito tempo apenas recolhidas.
Algo nele a alcançou com sutileza suficiente para tocar feridas que ninguém antes soube alcançar: não por esforço, nem por promessa, mas pelo modo silencioso como ele ocupava o espaço.
E talvez essa tenha sido a maior transformação de todas: compreender que, se alguém feito ele existia no mundo, então ela já não precisava temer ser quem era.
Pela primeira vez, ser ela mesma deixou de parecer estranho.
Ao seu redor, tudo continuou mais calmo. Como no instante em que o havia encontrado, ela enfim compreendeu que não precisava se despedir, porque a presença dele permanecia constante e familiar, semelhante aos momentos em que caminhava ao seu lado.
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