Como quem, roçando um arco às vezes

by Bernardo Soares · 20-11-1914
Published 20/11/1914

(early morning)


Como quem, roçando um arco às vezes

      Por um violino, ao acaso,

Súbito som excessivamente belo e saudoso

      Ouve-se, e não se pode encontrar outra vez,


Às vezes, sou certos gestos súbitos do Momento,

      Gemo irrespiradas sensações...

E são um tédio repentino à cor e à hora das coisas

E uma lamúria e longínqua paixão de não estar no mundo.


Árvores longínquas que esperam por mim desde Deus...

Paisagens mais perto da alma... Ou são grandes pálios

Em procissões interminavelmente a mesma...

Levando-me num triunfo de coisa nenhuma, sonolento e voluptuoso,

E perdido fico no Tempo como um momento em que se não pensa em nada...

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