Aos deuses uma coisa se agradeça:

by Bernardo Soares · 13-1-1920
Published 13/01/1920

Aos deuses uma coisa se agradeça:

O sono. A vida esqueça

Já que não pode nunca ser feliz.

Por isso, com um rito definido

Encostemos a fronte ao travesseiro

E deponhamos como ante um juiz

O nosso anseio derradeiro.


Sim, o sono, o sossego, o não ser nada

A morte sempre ansiada

[...]

No sossego da fronte que repousa

Alheia a toda a coisa.

O apagamento, bem ou mal, de tudo.

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