O Rosto da Tempestade
by ritamendes
· 18/02/2026
Published 18/02/2026 12:50
Uma página aberta, a frase perdida.
Então, a primeira descarga, violenta, cega.
A janela tremeu, a casa ferida,
a cortina voou, num susto que me pega.
E a chuva, depois, um caudal sem fim,
batendo na telha, um ritmo alucinado.
O cheiro a terra molhada, vindo de mim,
pela fresta, um mundo que foi apagado.
O relâmpago, um nervo exposto no céu,
um branco súbito, a pintar o quadro torto.
O meu coração, um pássaro que se moveu,
a bater ao som do temporal, quase morto.
Aqui, preso, no meio da escuridão,
entre o estrondo e o aroma de terra crua.
Eu e o meu medo, nesta solidão,
esperando que a tormenta fuja, que me nua.