Marcas do Giz
by ritamendes
· 26/03/2026
Published 26/03/2026 20:26
Pelo passeio, depois da chuva, o rasto
quase invisível, uma linha difusa.
Era uma casa, um gato, um vago pasto,
um universo de criança que se recusa
a desaparecer de vez. O giz, um pó
que o tempo leva, a água dissolve, fria.
Fica o fantasma, um quase, um sem porquê ou como,
daquele tempo, daquela melancolia.
Um boneco sem olhos, uma torre torta.
A calçada molhada reflete o cinzento.
A porta de um dia feliz, entreaberta,
um breve traço, sem mais lamento.