O Remoinho da Sarjeta

by ritamendes · 03/10/2025
Published 03/10/2025 13:15

Volto da rua, a chuva foi de aço,

que lavou o asfalto, sem perdão.

Na sarjeta, um riacho, a passo

lento, arrasta a sua coleção.


Um invólucro de rebuçado,

desbotado, um verde-claro a morrer.

Num pequeno remoinho, agitado,

roda, não quer ir, nem quer saber.


Folhas velhas, um caco, um detrito,

o que a cidade esquece, o que varreu.

O musgo verde na pedra, um grafito

onde o mundo sujo se prendeu.


A água escorre, sem parar, sem rumo,

leva consigo o que já não tem nome.

E o invólucro gira, no meio do sumo

que a vida nos deixa, sem fome.

Um pedaço de cor, na escuridão

do que resta, no frio do chão.

#chuva #decadência urbana #impermanência

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