O Mundo Pelo Vidro de Trás
by ritamendes
· 04/10/2025
Published 04/10/2025 17:29
No estofo gasto, cinzento, havia um padrão
que eu seguia com o dedo, um mapa inventado
de cidades que não existiam, um desvão
entre o que era e o que sonhava, um passado
que hoje volta, leve.
O brinquedo de plástico, um carro azul forte,
batendo no vidro, ritmava a viagem.
Lá fora, os campos corriam, uma sorte
de não ter de entender a pressa, a paisagem
um borrão que me embalava.
E eu ali, pequeno, no meu trono de trás,
o cheiro a gasolina e a pastilha de menta.
O sol entrava oblíquo, nunca me desfaz
desse calor no rosto, a mão que sustenta
o peso do meu queixo, o mundo a andar.