O Fundo do Armário
by ritamendes
· 08/10/2025
Published 08/10/2025 18:12
Abri a porta, um ranger, um gemido lento.
O pó assenta, uma camada branca e fina,
sobre frascos vazios, sem medicamento,
uma farmácia antiga, quase uma ruína.
Pomadas ressequidas, rótulos amarelos,
com letras que o tempo quase apagou,
pílulas de cores mortas, sem apelos,
a prova de um mal que já passou.
A loção para a pele seca da minha avó,
o bálsamo que curava a dor no joelho.
Cada embalagem, um grito, uma razão, um só
momento de batalha, no espelho.
Quantas febres, quantas gripes, quantos ais
se guardaram aqui, nesta arca pequena?
Um museu de dores, que não serei capaz
de esquecer. A prateleira, plena.