A Marca do Tempo
by ritamendes
· 16/10/2025
Published 16/10/2025 14:20
Tirei o relógio, para a água correr,
e ali estava ela, uma linha nua,
onde o sol não beijou, onde não há o que ter
de cor, uma fronteira escura, já ténue, uma rua
em que a pele se divide, a memória da luz.
O branco leitoso contra o castanho suave,
uma herança do verão, do tempo que passou.
Quase uma ferida, mas ao invés, grave
na sua ausência de dor, no que ele deixou
de mim à vista, e o que escondeu.
Sinto o fim do calor, a promessa
de que a marca irá sumir, como um segredo.
E o pulso, leve, espera a pressa
do próximo sol, outro mapa, outro medo
de ver o tempo, assim, desenhado em mim.