Nas mãos o fusível velho a cor
by ritamendes
· 20/10/2025
Published 20/10/2025 14:11
Nas mãos, o fusível velho, a cor
do tempo na ponta dos meus dedos, um calor
de algo que foi útil, que já deu o seu melhor.
O cobre baço, coberto de oxidação e fulgor.
Verde-azulado, como algas num navio.
Um cheiro metálico, um quase frio
que me fala de resistência, de um rio
que transporta energia, sem alardio.
O parafuso, teimoso, não cedia.
Senti o metal antigo, que um dia
foi novo, e agora, com a sua anarquia
de anos, quase sussurra: 'Eu existia'.
Um peso honesto, um passado presente, que fica.
E a nova faísca, afinal, é tão pouca, e é rica.