Ar Quente, Cheiro a Roupa
by ritamendes
· 21/10/2025
Published 21/10/2025 12:29
Numa tarde fria, o vento cortava.
Passei por um prédio, cinzento, sem graça.
E de uma grelha, um vapor escapava,
quente e doce, que a memória abraça.
Cheiro a amaciador, a roupa lavada,
a sol de inverno, a casa arrumada.
Um bafo súbrio, a promessa calada
de um conforto antigo, de uma vida parada.
Não é meu, este calor, este aroma,
mas rouba-me um segundo, leva-me além.
Aos lençóis da minha mãe, à calma
de um lar que já não se retém.
Um fio invisível que me puxa,
a um tempo onde o ar tinha outro sabor.
Uma ponta de saudade que me machuca,
por um cheiro que me traz o amor.