A Busca da Madrugada
by ritamendes
· 29/10/2025
Published 29/10/2025 21:09
Três e dezassete.
O telemóvel na mão,
um peso frio.
A boca seca.
A certeza de que há algo errado.
No escuro, a tela acende, um azulado
que me rasga a noite.
Digito, rápido.
"Sinais de que somos infelizes sem saber."
O cursor pisca,
como um olho cego.
Uma lista infinita,
cada artigo um espelho,
cada palavra minha.
E o medo de me encontrar
ali, em parágrafos de alguém,
uma verdade a sangrar.
Apaguei o histórico.
Engoli em seco.
O silêncio do quarto,
o meu próprio eco.