Os meus dedos na gaveta escura
by ritamendes
· 31/10/2025
Published 31/10/2025 14:17
Os meus dedos, na gaveta escura,
buscavam chaves, mas acharam metal frio.
Uma pequena medalha, lisa e segura,
com o nome gravado, já sem brio.
'Max', e um número, inútil agora.
O peso de um amigo, de uma vida inteira
de latidos, de patas no chão, de aurora
partilhada. A memória, ligeira.
Um objeto que já não serve,
mas que prende, como um anzol,
a um tempo onde a lealdade ferve,
mais forte que a luz de um sol.
Um amor sem perguntas,
sem amarras, sem adeus.
Só este redondo pedaço,
que me devolve a ele, e a Deus.