O Ponto Mais Alto
by ritamendes
· 02/11/2025
Published 02/11/2025 19:22
O elevador geme, um monstro de metal
que se arrasta para cima, lento e letal.
'Clack-clack-clack', o som da corrente fria,
cada andar que passa, uma nova agonia.
As casas lá em baixo, miniaturas sem nexo,
o cheiro a óleo e pó, um cheiro complexo.
O estômago aperta, um nó que não se desfaz,
a reunião lá em cima, o que virá depois, e o que se faz?
A porta abre, um segundo para o abismo,
o ar rarefeito, um quase cataclismo.
Fechou de novo, a subida continua,
mas a vertigem, essa, já se insinua.
O ponto mais alto, a vista que engana,
e o silêncio que precede a descida insana.
O ar que prende, o coração que bate forte,
esperando o fim, ou talvez a sorte.