Manhã Sem Nome
by ritamendes
· 05/11/2025
Published 05/11/2025 17:46
O cheiro. Isso fica, sabes.
Cerveja e suor frio, do bar que nos uniu,
ou talvez só nos colou, sem que te abanes
com isso agora. O vazio que subiu
com a luz da manhã, implacável.
Na almofada, a tua marca, uma sombra
de cabeça, e a minha, um ponto sem cor.
Na chávena, a mancha escura de café, um tom boba
que lembra a pressa. O silêncio, pior
que qualquer ruído, corta o ar.
Não há nome para o que fomos,
para o que se desfez antes de começar.
Restam lençóis torcidos, gestos somos
de esquecimento, um lugar
vago. E o vazio a voltar, sem parar.