Cinco Horas, Talvez Mais
by ritamendes
· 19/11/2025
Published 19/11/2025 13:07
A voz dela, hoje,
um fio mais fino ao telefone.
A culpa aperta, um nó no peito,
um nome sem destino, sem alcunha.
Cinco horas e trinta e sete minutos.
O ecrã azul, sem trânsito, sem nada
que me prenda aqui, a este canto mudo,
a esta cadeira gasta, a esta fachada.
Olho o mapa, um traço fino, o caminho.
Um carro vazio, a gasolina cheia.
O volante frio, um desejo mesquinho
de chegar lá antes que a luz esbateia.
Mas as horas esticam-se, uma a uma,
como elástico velho, que não cede.
E a voz dela, longe, a penúltima
gota de areia que a ampulheta lhe pede.