O Chão Frio
by ritamendes
· 22/11/2025
Published 22/11/2025 12:43
Corpo no chão, quase rente ao betão.
Um colchão sem base, com molas que se sentem
na anca, no ombro, um protesto mudo.
A poeira acumula-se no rodapé,
um lembrete diário de onde não me enraízo.
O tecido, um dia branco,
agora mostra o mapa das minhas noites,
manchas de café, de suor, de nada.
Um ponto gasto, quase um buraco,
onde a minha cabeça repousa.
É um pouso. Não é um lar.
Como o que vi na carrinha, enrolado,
um fardo amarrado.
Uma certeza, pelo menos:
amanhã, pode ser noutro chão.
Este é só o agora,
e o frio que se cola aos ossos.