Duas da manhã O ar cortado pelo frio

by ritamendes · 29/11/2025
Published 29/11/2025 10:41

Duas da manhã. O ar cortado pelo frio.

Cheiro a gasolina, a terra molhada, um rasto

de pneu gasto. A luz dos néons, um vazio

branco e cruel, a iluminar o asfalto.


Sou a única aqui. A máquina metálica

range, engole notas, cospe litros, sem um som.

Uma poça de óleo, negra, quase anímica,

reflete as luzes falsas, um breve dom


de distorção. O meu carro, uma sombra

escura, a beber o seu veneno amargo.

Um momento suspenso, sem a menor sombra

de vida, um posto de paragem, letargo.

#alienação #existencialismo #solidão

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