Sob a Cama
by ritamendes
· 05/12/2025
Published 05/12/2025 15:11
O sapato voou, com raiva,
e escondeu-se, como sempre.
Baixei-me, a testa quase
a roçar a tábua do estrado.
A luz, mortiça, morria
na penumbra, lá no fundo.
Pó, filamentos de cinza,
como neve suja e lenta.
Aquele ursinho sem um olho,
uma meia desemparelhada,
cartas que nunca foram lidas,
uma moeda que não serve.
Quantas vidas
se acumulam aqui,
onde a vassoura não chega?
Pedaços de mim,
que deixei morrer
sem sequer dar por eles.