O Dissolver do Gelo
by ritamendes
· 14/12/2025
Published 14/12/2025 15:33
Esquecido na bancada, após o sumo,
um cubo. Perfeito, arestas definidas.
Agora, a luz da cozinha, um lume
tímido, revela as suas formas diluídas.
Já não é um cubo. É uma bolha, quase,
uma gota gigante que insiste em ser.
As arestas sumiram, sem fazerem alarde,
a água escorre, um rasto a crescer.
Pequenas poças, frias e translúcidas,
alastram-se, um mapa de uma viagem
de nada para nada, formas lúcidas
de um fim inevitável, sem selvagem
Resistência. Só a entrega. E eu observo
o seu pequeno mundo a desvanecer.
Como quem vê um tempo, um nervo
que se desfaz, sem nada poder fazer.