No lençol um pálido algodão

by ritamendes · 18/12/2025
Published 18/12/2025 10:41

No lençol, um pálido algodão,

um fio escuro se esgueirou,

longo, quase uma confissão

do que o tempo me roubou.


Não era um cabelo qualquer,

mas um branco que ali jazia.

Senti-o, a mão a tremer,

qual promessa que esmorecia.


Um rasto fino, sem perdão,

de uma parte que se solta.

Segurei-o, uma ilusão,

de que o que perdi volta.


É um mapa torto, sem rumo,

o espelho já não mente.

O corpo guarda este sumo,

desta ausência presente.

#envelhecimento #memória #passagem do tempo #perda

Related poems →

More by ritamendes

Read "No lençol um pálido algodão" by ritamendes. One of the best and most popular poems on The Poet's Place. Discover more trending, inspiring, and beautiful poetry by ritamendes.