O Cheiro a Alfazema e Pó
by ritamendes
· 26/12/2025
Published 26/12/2025 14:46
A caixa dos chapéus,
no fundo do roupeiro,
um relicário de véus,
du seu mundo inteiro.
Poeira fina, quase neve,
cobria o feltro e a pena.
Um tempo que se deteve,
uma ausência tão serena.
O cheiro a alfazema,
forte, a combater o mofo.
Cada dobra, um emblema,
cada pluma, um sufoco.
Quem usou este clochê?
Para que festa, que rua?
A sombra de quem não é,
em cada dobra tua.
O silêncio da casa,
só os nossos arrastar de caixas.
A vida que não se atrasa,
e as memórias que deixas.