A Mão de Cera

by ritamendes · 01/01/2026
Published 01/01/2026 15:26

O cheiro doce, a quentura que espantava,

um mel espesso que a dor acalmava.

Entreguei a mão, dorida, um pouco trémula,

à luva morna, à matéria que a moldava.


Líquido e depois sólido, um abraço estranho,

uma segunda pele, um casulo sem ganho.

Amarelo pálido, translúcido e mudo,

prendia os dedos num silêncio agudo.


Não podia mover-me, nem sequer sentir,

uma gaiola quente para a mão adormecer.

Assim ficou, presa na cera sem pressa,

uma estátua viva que a dor confessa.

#dor

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