Pequeno Brilho Azul
by ritamendes
· 12/01/2026
Published 12/01/2026 16:46
O vento de Outubro, sem dó nem piedade,
rasga a pele dos lábios, crua verdade.
Procuro no fundo da bolsa, um achado,
o pequeno pote azul, tão esperado.
Vaselina. Um dedo, um toque suave, sem pressa.
O brilho gorduroso, que a sequidão apressa.
Cheiro quase químico, um véu translúcido, fina
camada que esconde a dor, a pele que teima.
É uma mentira confortável, este bálsamo.
Uma cura instantânea que é só um fantasmo.
Cobre, mas não resolve, apenas adia o fim,
disso que repuxa e estica, e grita em mim.
E depois, como chegou, devagar, o brilho some.
Deixa para trás a promessa, que não tem nome.