No Alpendre Velho
by ritamendes
· 21/01/2026
Published 21/01/2026 11:45
A tinta lascada no corrimão de madeira,
como feridas velhas, abertas ao tempo.
O cheiro a terra húmida, a derradeira
confirmação de um dia sem movimento.
No alpendre ao lado, o velho,
sentado na sua cadeira gasta.
Olha o nada, ou talvez o seu espelho,
a vida que passa, que se afasta.
Os cães dormem na sombra,
um zumbido de abelhas no ar.
A quietude que me assombra,
o tempo que não quer parar,
mas que ali, parece
ter feito um pacto com o lugar.
Não há pressa, não há dor,
apenas a espera de mais um fim.
E eu, aqui, espectador,
sinto um pedaço dele em mim.