O tubo de vedante
by ritamendes
· 26/01/2026
Published 26/01/2026 15:24
O tubo de vedante,
um verme branco, pastoso,
entregue à minha mão.
A torneira velha,
desencaixada,
o furo escancarado
na louça fria.
O cheiro químico, quase adocicado,
enquanto o empurro,
uma pasta teimosa,
para a fenda,
a cicatriz,
o lugar onde a água
se esgueirava antes.
Aliso com o dedo,
suavizo a linha,
faço-a parte.
Ela endurece, cala,
torna-se uma espinha dorsal
invisível, branca,
que agora segura tudo.
É tão pequena a coisa,
este selo que se fez,
mas prende a água no sítio,
e o tempo, por momentos,
parece que também.