O Cheiro da Desinfecção
by ritamendes
· 14/02/2026
Published 14/02/2026 17:22
A porta rangeu na rua,
e o cheiro, forte, bateu.
Não era a brisa sua,
mas algo que me doeu.
Iodo, um picar na narina,
lembrança de joelho esfolado.
A cor castanha, a retina
ainda via o meu lado
pequeno, a chorar baixinho,
a mãe a segurar-me a mão.
A ferida, um caminho
para a cura, sem perdão.
Aquele ardor, agora,
no peito me aperta.
A infância que devora
o que a vida nos acerta.
Não há pomada para isto,
para o que a alma sangra.
O cheiro a iodo resisto,
e a memória me desintegra.