A Caxemira Dela
by ritamendes
· 15/02/2026
Published 15/02/2026 19:44
No fundo da caixa, um cheiro a mofo antigo,
uma memória esquecida, sem avisar.
A echarpe, dobrada, um leve fardo amigo,
que a sua ausência me veio lembrar.
Caxemira. Tão fina, que quase se desfaz
entre os dedos, um rio de lã, um engano.
Mas tem uma densidade que me satisfaz,
um peso mínimo, que me prende ao plano.
Um toque áspero que depois se transforma,
numa suavidade que a pele me seduz.
Cheira a naftalina e a uma forma
de perfume antigo, a uma sombra que me conduz.
Para o tempo em que as suas mãos, secas e quentes,
a punham ao pescoço, um gesto de carinho.
Agora sou eu, e os meus dedos descrentes,
a procurar o calor, no seu caminho.