O Corpo Cede
by ritamendes
· 28/02/2026
Published 28/02/2026 15:10
Acordei, no meio da noite escura.
O corpo encharcado, a pele colada
ao lençol húmido, uma armadura
de suor. A cabeça, desanuviada.
A febre alta, a que ardia por dentro,
a que me levou para longe, para outro lugar,
tinha cedido. Um alívio, um centro
de calma, um respiro no ar.
A garganta ainda seca, a boca amarga.
Mas a névoa na mente, essa, levantou-se.
O frio da almofada, uma carga
leve, que o corpo aceitou.
Estou de volta. Frágil, sim.
Mas o mundo já não me parece hostil.
Só este cansaço, a querer-me em mim.
E o silêncio, a cobrir o fio.