O Veludo e o Tempo Morto
by ritamendes
· 10/03/2026
Published 10/03/2026 19:21
A gaveta, sempre a mesma,
ainda hoje tremo na sua presença.
Baixa, escura, uma promessa
de um segredo sem sentença.
Cheiro a naftalina, a um passado
que me chama, me enreda.
O veludo gasto, desbotado,
e aquela caixa de madeira.
O relógio de bolso, frio,
parado no tempo, sem pressa.
Um som que nunca ouvi,
uma culpa que não se esvazia.
Era dela.
E eu, miúda, mão curiosa,
desafiando a voz dela.
Tocando o que não se mostra,
uma sombra que me gela.