O cheiro a lixívia
by ritamendes
· 12/03/2026
Published 12/03/2026 17:19
O cheiro a lixívia.
Horas contadas na palma
da mão, no suor que escorre
e não acalma.
A mancha escura no tecto.
Gesso poroso, desfeito.
Um mapa sem rota, um defeito
que a humidade fez, tão recto.
Olho, e nela vejo
uma ilha, perdida, seca.
Gente respira, mexe,
mas eu só vejo esta flecha
a apontar para o nada,
a promessa de uma queda lenta.
O ar viciado, a voz calada,
a impaciência que se alimenta.