Regra dos Cinco Segundos

by ritamendes · 22/03/2026
Published 22/03/2026 09:16

O dia já ia torto, descarrilado,

desde o café frio até ao sapato molhado.

No metro, a pastilha elástica,

acabada de abrir, cor-de-rosa, fantástica,

escorregou-me da mão. Pousou no chão.


O chão do metro. Cinzento, poeirento, um nojo.

Olhei em volta. Ninguém reparou, ninguém viu

o meu pequeno desastre. O meu mojo

tinha-se ido, já nada me serviu.


Inclinei-me. Sem pensar, sem pudor, sem razão.

Os meus dedos, contra o cimento frio, áspero.

Apanhei-a. A textura, ligeiramente pegajosa,

com uns 'fios' minúsculos, uma coisa vil.


Metia-a na boca. Um desafio, um desespero.

O sabor mentolado, misturado ao nada.

Um pequeno ato de rebeldia, ou um mero

canseira, numa vida já tão estragada.

#alienação urbana #fadiga existencial

Related poems →

More by ritamendes

Read "Regra dos Cinco Segundos" by ritamendes. One of the best and most popular poems on The Poet's Place. Discover more trending, inspiring, and beautiful poetry by ritamendes.