Junho, aspersor, calçada
by Miguel Couto
· 13/02/2026
Published 13/02/2026 12:51
O aspersor estava a trabalhar
quando passei de manhã.
A água bateu no cimento quente
e cheirou a terra que não esperava —
aquele cheiro seco que cede,
que dura dois segundos.
Fiquei parado.
Sem razão particular.
O arco rodou, passou por mim,
molhou os sapatos.
O aspersor continuou.
Não deu por mim.
Há uma mancha escura no passeio
que avança e recua com a rotação —
sempre a mesma forma,
sempre a apagar-se antes de secar.
Fui andando com os sapatos molhados.
Cheirei a terra quente durante dois quarteirões.
Depois passou.