Três dias, depois nada
by Miguel Couto
· 16/02/2026
Published 16/02/2026 12:44
Segunda. O camião estava lá.
Cabine vazia, motor frio,
sem matrícula que se lesse.
Terça também.
Quarta de manhã ainda estava.
Fui à janela três vezes
sem saber o que estava a verificar.
Se alguém tinha vindo.
Se alguém ia vir.
Na quinta não estava.
Desci. Fui ao passeio.
Havia uma mancha no asfalto,
escura, com aquela forma
que o óleo faz quando não tem pressa.
Fiquei a olhar para ela
mais tempo do que fiquei a olhar para o camião.
O camião era um facto.
A mancha era a prova de que o facto existiu
e foi embora
sem explicar nada.