O cursor piscou à espera
by leonorvaz
· 20/02/2026
Published 20/02/2026 15:01
O cursor piscou à espera.
Naturalidade.
Devia ser simples.
Mas fiquei ali —
os dedos sobre o teclado,
o ecrã a iluminar o queixo —
a tentar perceber se o nome
que ia escrever ainda me pertencia
ou se era só uma resposta
que o corpo guarda
sem o resto.
A paragem de autocarro na saída da vila.
O painel de horários em plástico
a descolar numa das pontas.
Uma linha. Dois horários.
Manhã e fim de tarde.
Cresci lá.
Aprendi a andar de bicicleta
no parque de estacionamento do supermercado,
ao domingo de manhã —
havia uma mancha de óleo
que eu desviava sempre
sem pensar.
E depois fui embora
e a vila ficou
sem dar por isso.
Escrevi o nome.
Cliquei em Seguinte.
O formulário não quis saber mais.