Silêncio antes do ardor
by leonorvaz
· 28/03/2026
Published 28/03/2026 14:36
A cotonete desceu pela canela,
o iodo virou âmbar no algodão.
O joelho roxo, com orla amarela.
Ela ficou quieta. Sem expressão.
Não disse ai. A luz da casa de banho
zumbia baixo. Eu enxaguei os dedos depois.
Quarenta anos — e nunca um desengano
posto em voz alta. Nem um, entre nós dois.
Hoje ainda cheiro o iodo nas mãos.
Fico parado com isso na cabeça —
essa carne que aprende certas lições
de silêncio, e nunca as esquece.